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DESAPROPRIAÇÃO VAI BENEFICIAR INDÍGENAS
DECISÃO DA CÂMARA MUNICIPAL ACABARÁ
COM UMA BATALHA QUE JÁ DURAVA 17 ANOS
O prefeito de Rio Preto da Eva, Fúllvio Pinto, confirmou
ontem que vai sancionar lei que desapropria 41,2 hectares
de terras, em benefício de 14 famílias indígenas que
vivem naquele município. "É um compromisso que assumi
com a comunidade", disse ele. É a primeira vez que uma
prefeitura do Amazonas titula uma terra indígena.
A lei foi aprovada na semana passada, na Câmara Municipal
de Rio Preto da Eva, acabando com uma batalha de 17
anos.
A decisão dos vereadores foi comemorada ontem, durante
uma grande festa realizada na comunidade Beija-Flor
1, sede de uma área indígena ainda maior, composta por
43 famílias de diversas etnias, também localizada em
Rio Preto da Eva.
A terra desapropriada pertencia ao norte-americano Richard
Melnik, proprietário de uma antiga loja de artesanato
em Manaus, falecido em 2002. Após, sua morte, a terra
entrou em litígio quando um homem que se assumiu como
procurador do norte-americano reivindicou o local. A
disputa impedia que as famílias indígenas dos povos
sateré, tukano, dessano, tuiuca, apurinã, baniua, arara,
marubo, maioruna tivessem seus projetos de sustentabilidade
aprovados por órgãos federais.
O tuxaua da comunidade, Fausto de Andrade Costa Filho,
34, contou que com a decisão a comunidade vai poder,
finalmente, implementar projetos que estavam "trancados"
nas áreas de piscicultura e apicultura.
DECISÃO HISTÓRICA
O administrador regional da Fundação Nacional do Índio
(Funai), Edgar Rodrigues, considera a decisão dos vereadores
de Rio Preto da Eva uma "vitória inédita e histórica".
"Não se trata de uma demarcação, mas da iniciativa de
uma prefeitura que se sensibilizou com a causa indígena,
doando esta terra onde eles já vivem há muito tempo",
disse Rodrigues. Conforme o administrador da Funai,
a doação vai dar segurança jurídica aos indígenas. "Acho
que é a primeira vez, no Brasil, que uma prefeitura
titula terra indígena", disse.
(Jornal A Crítica, 2 de outubro de 2008. Manaus, AM)
PNCSA
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